Médico brasileiro desenvolve método inédito para aplicação do balão intragástrico

O médico gastroenterologista brasileiro Mauro Lúcio Jácome irá apresentar um estudo de caso com resultados inéditos em um congresso nos Estados Unidos, em abril. Em resumo, a pesquisa apresenta uma estratégia inovadora para o uso do balão intragástrico ajustável no tratamento da obesidade. Método que não é frequentemente utilizado nas clínicas especializadas e, após acompanhamento clínico em cerca de mil pacientes, demonstrou uma eficácia quase que de 100%.

No dia 5 de abril, o especialista estará no “Digestive Disease Week, em Chicago, nos Estados Unidos, para apresentar os resultados do seu estudo. A demonstração ocorre durante esse evento, que na realidade é o congresso americano de endoscopia e gastroenterologia, um dos mais relevantes hoje em dia. Mauro é natural de Caeté, em Minas Gerais, e há mais de 20 anos se dedica a estudos e a aplicação de balões intragástricos em pacientes de todo o mundo. 

Tradicionalmente, esse dispositivo é implantado com volumes elevados de líquido, entre 600 ml e 750 ml, o que pode aumentar a perda de peso, mas também está associado a efeitos adversos relevantes, como intolerância, úlceras e migração do balão. A proposta dos autores consiste em iniciar o tratamento com um volume reduzido, em torno de 350 ml, seguido de dois aumentos progressivos ao longo do tempo, até atingir o volume final desejado.

“Trata-se de um estudo observacional retrospectivo com 323 pacientes atendidos em um ambulatório especializado, dos quais 63 completaram o protocolo. A maioria era composta por mulheres, com média de idade de aproximadamente 40 anos. Os participantes apresentaram redução significativa de peso e do índice de massa corporal ao final de 12 meses, com perda média de 18% do peso total e 66,3% do excesso de peso. Os resultados indicaram ainda que volumes finais maiores do balão estiveram associados a uma leve redução na perda percentual de peso, enquanto idade, sexo e IMC inicial não tiveram impacto significativo nos desfechos”, explica Mauro Jácome.

A estratégia de iniciar com baixo volume e realizar ajustes sequenciais demonstrou eficácia clínica relevante, boa tolerância por parte dos pacientes e baixa taxa de complicações. Apenas um caso exigiu retirada precoce do dispositivo por intolerância. Os autores concluem que o protocolo é seguro e apresenta resultados comparáveis aos métodos tradicionais descritos na literatura, configurando uma alternativa viável no manejo da obesidade.

“Estou muito feliz. Primeiro pelo fato de levar a bandeira do nosso país a mais um púlpito internacional e poder demonstrar o quanto a medicina do Brasil é séria. E segundo porque é um feito pessoal que trabalhei muito para construir e poder tornar isso público é bastante gratificante”, completa o médico.

MAIS NOVIDADES