Cosmologias da Imagem: cinemas de realização indígena” apresenta uma retrospectiva de obras produzidas por cineastas indígenas no Brasil, entre 2011 e 2024, que vêm renovando a linguagem documental, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, de 16 de abril a 12 de maio. A programação é protagonizada por cineastas e realizadores de diversos povos, reunindo uma filmografia inovadora, embora ainda dispersa, que se constituiu ao longo das últimas duas décadas e está reunida aqui de forma inédita. A mostra reflete sobre a identidade e a ancestralidade brasileiras, ampliando o acesso a narrativas expressas por meio da cinematografia de cineastas originários de várias regiões do país.
Serão exibidos 33 filmes – 12 longas e 21 médias e curtas-metragens -, organizados em cinco eixos temáticos que exploram diferentes aspectos do cinema indígena: Terra e Território: Brasil é Terra Indígena; Direito à Diferença: Nosso Modo de Vida, Nossas Festas, Nossos Rituais; Fluidez da Forma: Encenações e Performance nos Cinemas Indígenas; Cinemas da Floresta, do Sonho e da Luta e Para Adiar o Fim do Mundo.
Entre os destaques da programação da segunda semana da mostra estão a sessão comentada por Olinda Tupinambá, cocuradora da mostra e diretora de Kaapora, o chamado das matas, no dia 24 (quinta), às 18h, que apresentará o Programa Karapotó e Tupinambá; e a mesa-redonda Retomada e transformação nos cinemas e nas artes indígenas, que reunirá as curadoras Júnia Torres e Olinda Tupinambá e as cineastas Patrícia Ferreira Pará Yxapy (RS) e Alberto Alvares (MS/RJ), na sexta-feira, 25/04, às 18h.
Um dos filmes mais esperados da mostra, o premiado A Transformação de Canuto, de Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho, terá sua primeira exibição no dia 26/04 (sábado), às 18h30. O documentário conquistou o Kikito nas categorias Melhor Ator, Melhor Fotografia e Melhor Direção, além de ter sido eleito o melhor filme na mostra dedicada ao cinema gaúcho do 52° Festival de Cinema de Gramado. No IDFA – International Documentary Film Festival, em 2023, o filme ganhou, na mostra Envision, os prêmios de Melhor Filme e de Excepcional Contribuição Artística (Outstanding Artistic Contribution), para os diretores Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho. Foi a primeira vez que um filme brasileiro conquistou prêmios na mostra Envision, um espaço destinado a filmes que exploram questões sociais, políticas ou culturais de maneira criativa. O documentário, que retrata uma pequena comunidade Mbyá-Guarani, foi filmado na fronteira entre o Rio Grande do Sul e a Argentina.
“Cosmologias da Imagem: cinemas de realização indígena” é organizada pela produtora Filmes de Quintal, coordenada pela antropóloga e documentarista Júnia Torres, que também assina a curadoria com a cineasta e artista visual Olinda Tupinambá, e tem produção executiva de Tatiana Mitre, da Amarillo Produções. A iniciativa conta com o patrocínio do Banco do Brasil.
O Brasil conta hoje com 305 etnias indígenas identificadas, cada qual com sua própria cosmologia e visão de mundo, que, em parte, vêm sendo representadas cinematograficamente. A curadoria da mostra procurou destacar a diversidade de formas, propostas fílmicas e temáticas presentes na filmografia contemporânea dos cinemas indígenas no Brasil. Os filmes vão desde documentários, filmes-rituais, passando por filmes híbridos (que misturam documentação e encenação da vida cotidiana, da história e da cosmologia), vídeo-performances e clipes musicais apresentando realizações que muitas vezes escapam às definições e gêneros do cinema tradicional, propondo novas formas de construção narrativa.
A retrospectiva destaca obras que, através de suas próprias narrativas, redefinem os protagonismos autorais e a linguagem cinematográfica no país. Esta iniciativa visa ampliar a visibilidade do movimento contemporâneo de cineastas e artistas indígenas que, nas palavras de Ailton Krenak, estão “demarcando as telas com um novíssimo cinema brasileiro“.
“Acredito que o cinema indígena apresenta um olhar de descolonização à imagem dos indígenas. E, assim como é extremamente importante que os povos possam fazer seus próprios filmes, é importante pensar em distribuir essas produções, pois só assim teremos a possibilidade de fortalecer o cinema nacional feito pelos povos indígenas”, comenta Olinda Tupinambá
Povos e Regiões Representados
A mostra apresenta obras de cineastas e coletivos indígenas de povos como Maxakali/Tikmũ’ũn (MG), Kuikuro (MT/Xingu) Yanomami (AM e RO), Mbya-Guarani (RS e SP), Guarani Nhandeva (MS), Tupinambá (SP e BA), Karapotó (AL), Awa Guajá/Tentehara/Guajajara (MA), Huni Kuin (AC), Xakriabá (MG), Mebêngôkre-Kayapó (PA), Baniwa (AM), Krahô (TO), Xavante (MT), Tupi (SP), Fulni-ô (PE) e Kaiabi (MT).
“Cosmologias da Imagem: cinemas de realização indígena” não apenas celebra a diversidade cultural do Brasil, mas também oferece uma oportunidade única para o público explorar novas perspectivas e experiências através do poder transformador do cinema indígena. Esta mostra é um convite para mergulhar em narrativas decoloniais que iluminam e enriquecem a compreensão da identidade nacional contemporânea.
“O foco da mostra está no poder transformador do audiovisual indígena, capaz de reconstruir nossa autoimagem como uma nação pluriétnica e de construir uma identidade contemporânea inclusiva, protagonizada por novos atores sociais e artísticos através da auto-representação. As obras selecionadas reconfiguram significativamente a linguagem do cinema documental ao registrar práticas, representações e narrativas dos povos indígenas, onde o corpo, os rituais, gestos, a floresta, o ambiente natural e seus habitantes assumem papel central na construção visual e sonora”, comenta Júnia Torres.
Para mais informações sobre a programação completa visite o site bb.com.br/cultura. Os ingressos podem ser retirados a partir das 9h, no dia da sessão, no site ou na bilheteria do CCBB RJ.
Sobre o CCBB RJ
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.